sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Terço dos Homens: por uma fé esclarecida e engajada em Cristo Jesus.


Dona Fátima, esposa do Sr Zezão, mãe do Benedito e da Benedita e avó da Maria Heloísa e da Maria Helena sempre fala no "verdadeiro sentido da" missa, da oração, da vivência em comunidade.
Acredito que ela esteja profetizando a partir de sua vivência enquanto frequentadora assídua da igreja e devota fervorosa que ainda criança aprendeu a rezar no seio de uma família afligida pelas condições adversas de uma vida rodeada por problemas sócio-econômicos diversos no pequeno distrito do Figuereido da Jaguaruana no Ceará.
Aos irmãos do movimento do terço, eu gostaria de agradecer pelas orações e/ou pela participação na V MOTORROMARIA do Terço dos Homens de Morada Nova a Canindé realizada no último domingo (26/01/2014).
Gostaria também de lembrar aos irmãos que é muito importante, enquanto irmãos, enquanto igreja, enquanto leigos, para cada um de nós a vivência orante dos ensinamentos de Jesus.
Não é preciso ser um doutor em teologia, não é preciso ser um sábio escritor como São Paulo ou tantos outros doutores. A sabedoria de Deus provém dos dons do Espírito Santo, dons que se revelam sob muitos e diversos carismas.
A você que agora lê estas linhas, seja do terço dos homens ou de qualquer outro movimento ou ainda esteja solto como uma folha ao vento, quero lembrar parafraseando as palavras do padre Mota de Morada Nova:
Precisamos de unidade (não olheis os vossos pecados, mas a fé que anima vossa igreja) ainda que nossos pontos de vista nem sempre sejam coincidentes.
Precisamos perceber que nossa unidade é o Evangelho de Jesus Cristo (profeta-pastor-cordeiro pascal definitivo-salvador, nas palavras de Monsenhor João Olímpio)
Precisamos temperar nossa oração com vivências e práticas simples e direcionadas para e pelo Espírito Santo, isto é, não podemos ficar no nível do "bla-blá", nem podemos deixar que nosso lado humano queira ser maior que o lado divino de Jesus Cristo.
Precisamos ler a palavra de Deus e participar das celebrações eucarísticas.
Precisamos convidar nosso irmão, nosso vizinho, nosso amigo, nosso conhecido a visitar uma igreja e a se engajar nos movimentos leigos que animam o povo de Deus e auxiliam diáconos e presbíteros.
Precisamos conversar e nunca expor nossos problema com a intenção de ferir o outro, com o propósito de "lavar roupa suja" em público, pois isso não é um ato digno para quem acredita nas palavras de Jesus quando afirma que o maior é aquele que assume sua cruz e almeja ser o último.
Precisamos visitar nossos irmãos e suas comunidades.
Precisamos vivenciar o amor de um ambiente familiar sadio e organizado tal qual aquele experienciado pela família de Nazaré.
Precisamos ser construtores como o Padre Peixoto nos ensinou ao longo de 28 anos celebrando na igreja do Divino Espírito Santo, mas construtores de muitas e variadas obras (capelas, amizades, relações, ministérios, pastorais etc).
Precisamos estar com a oração de São Francisco em nossos corações e imitar o bom exemplo dos santos e daqueles que repousam na graça de Deus no plano do Criador.
Precisamos enxergar nos movimentos, grupos, eventos, festas, ações e propostas que vicejam nas capelas, matrizes, basílicas, santuários e locais de devoção a mão poderosa de Deus a guiar e a proteger seus filhos.
Precisamos lembrar que tudo é do Pai e que todos os rios (as criaturas) correm de volta para o mar (Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo)
Pode até ser que você tenha dúvidas e "brigue com Deus como cantou o Padre Zezinho. Entretanto, não esqueça a música que cantamos na igreja: "Deus está aqui, aleluia. Tão certo como o ar que eu respiro, Tão certo como o amanhã que se levanta. Tão certo como eu te falo e tu me podes ouvir".
.........
"A motorromaria - ou qualquer outra ação católica e cristã - é um evento que deve ser inspirado e fortalecido pela graça do Espírito Santo de Deus para que seja um serviço de evangelização - em espírito e em verdade - para unir o homem a Deus, aos irmãos e às famílias."
(Alfransbe)

Terço dos Homens Mãe Rainha da Paróquia do Divino Espírito Santo da cidade de Morada Nova, Ceará: Fotos da V Motorromaria do terço de Morada Nova a Canindé.

"A motorromaria - ou qualquer outra ação católica e cristã - é um evento que deve ser inspirado e fortalecido pela graça do Espírito Santo de Deus para que seja um serviço de evangelização - em espírito e em verdade - para unir o homem a Deus, aos irmãos e às famílias."
(Alfransbe)
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Divino Jesus, nós Vos oferecemos este Terço (Rosário) que vamos rezar, meditando nos mistérios da nossa Redenção. Concedei-nos, por intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, as virtudes que nos são necessárias para bem rezá-lo e a graça de ganharmos as indulgências desta santa devoção. Oferecemos, particularmente, em desagravo dos pecados cometidos contra o Santíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, pela paz do mundo, pela conversão dos pecadores e pelas almas do purgatório. Pelas intenções do Santo Padre o Papa, pelo aumento e Santificação do clero, pelo nosso Vigário, pela santificação das famílias, pelas missões, pelos doentes.














quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Seduc, Crede 10 (Russas - Ce): INEP e endereço das escolas

Escolas
Crede INEP Escola
Endereço
CEP
 10 23133554
ANTONIO VIDAL MALVEIRA EEFM
RUA DO COMERCIO
157
62960000
88
34243817
 10 23127821
ARSENIO FERREIRA MAIA EEFM
RUA CORONEL JOSE NUNES
1245
62930000
88
34236969
 10 23133155
AVELINO MAGALHÃES,EEEP
RUA MANOEL FRANKLIN
5033
62960000
88
34243815
 10 23124121
BARÃO DE ARACATI EEM
PCA DOS PRAZERES
82
62800000
88
34462608
 10 23124172
BENI CARVALHO EEFM
RUA BENI CARVALHO
1679
62800000
88
34462605
 10 23211202
DR. JOSE NILSON OSTERNE DE OLIVEIRA CEJA
RUA DOS EXPEDICIONARIOS
2991
62930000
88
34236970
 10 23132043
DR. MOREIRA DE SOUSA EEF
AVENIDA RAMALHO
336
62900000
88
34112132
 10 23128739
EGIDIA CAVALCANTE CHAGAS EEFM
AVENIDA MANOEL CASTRO
473
62940000
88
34222810
 10 23236094
FRANCISCA ROCHA SILVA, EEEP
RUA: JOÃO CELEDÔNIO SOBRINHO
s/n
62823000
88
92440760
 10 23132876
FRANCISCO GUERREIRO CHAVES EEFM
RUA CANDIDO CHAVES
572
62965000
88
34201638
 10 23127171
FRANCISCO JAGUARIBE EEM
RUA CEL RAIMUNDO FRANCISCO
1135
62823000
88
34181666
 10 23133295
FRANCISCO MOREIRA FILHO EEM
RUA MANOEL FRANKLIN
4915
62960000
88
34243810
 10 23203536
FRANCISCO NONATO FREIRE EEFM
AV DR FCO EDSON GUERRA BEZERRA
667
62970000
88
34291762
 10 23131365
GOV. MANOEL DE CASTRO FILHO EEFM
RUA PADRE JOAQUIM DE MENEZES
1110
62920000
88
34431400
 10 23131802
GOVERNADOR FLAVIO MARCILIO COLÉGIO ESTADUAL
AVENIDA DOM LINO
725
62900000
88
34118569
 10 23125012
HELENITA LOPES GURGEL VALENTE EEM
RUA JORGE FERREIRA
250
62819500
88
34131398
 10 23125586
JOÃO BARBOSA LIMA EEM
RUA CEL JOAO BATISTA
397
62820000
88
34101255
 10 23130890
JOSE FRANCISCO DE MOURA EEM
AV POSSIDONIO BARRETO
459
62910000
88
34151500
 10 23128208
LAURO REBOUÇAS DE OLIVEIRA EEM
AV DOS EXPEDICIONARIOS
2921
62930000
88
34231920
 10 23132000
MANUEL MATOSO FILHO EEM
RUA CEL PERDIGAO SOBRINHO
433
62900000
88
34118550
 10 23127430
MANUEL SÁTIRO EEFM
AVENIDA ANTONIO DA ROCHA FREITAS
1278
62823000
88
34181118
 10 23132507
MARIA DE LOURDES OLIVEIRA EEFM
RUA JOSE SABINO MENDES
2313
62903000
88
34090289
 10 23129018
MARIA EMÍLIA RABELO COLÉGIO ESTADUAL
AVENIDA MANOEL CASTRO
619
62940000
88
34222811
 10 23236078
OSMIRA EDUARDO DE CASTRO,EEEP
RUA: ALUIZIO GONZAGA LIMA
SN
62940000
88
34221694
 10 23125314
PROF. GABRIEL EPIFANIO DOS REIS EEM
RUA FILIZOLINA FREITAS
S/N
62810000
88
34321079
 10 23255528
PROFESSOR WALQUER CAVALCANTE MAIA EEEP
TRAVESSA PEDRO ARAUJO
175
62900000
88
34118508
 10 23265426
PROFESSORA ELSA MARIA PORTO COSTA LIMA EEEP
RUA JOSE DE ALENCAR
1930
62800000
88
34216141
 
Total: 27


   
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 http://sige.seduc.ce.gov.br/Academico/Relatorios/MapaDeOfertasPublica/2012/unidade_trabalho.asp?crede=10
23/01/2014, 14:39

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Paróquia do Divino Espírito Santo de Morada Nova - Ce: Posse do Padre Josiel dos Santos Mota em 01/01/2014 às 17:00 com a presença de parte do clero da diocese de São Miguel Arcanjo






Paróquia do Divino Espírito Santo de Morada Nova - Ce: Pastoral do Batismo


Diocese De São Miguel Arcanjo – Limoeiro Do Norte – Ce

Paróquia Do Divino Espírito Santo – Morada Nova – Ceará

Pastoral do Batismo

 

Reuniões (1ª e 3ª quintas-feira às 19:00)

Reuniões  (2º e 4º sábados às 08:00)

ESPÓTULA (Taxa) de batizado: R$ 40,00

 

Obs: pais e padrinho devem  portar documento de identificação com foto e crianças devem portar o registro ou cartão de vacina.

Origem do batismo

João batista deu início e Jesus deu continuidade ao se deixar batizar por seu primo.

 

O que é o BATISMO?

O Batismo é purificação, justificação e santificação. É o primeiro entre os sete sacramentos.

O batismo é um rito de passagem, feito normalmente com água sobre o iniciado através da imersão, efusão ou aspersão. Este rito de iniciação está presente em vários grupos, religiosos ou não, onde destacam-se os cristãos. Na Igreja Católica, o batismo é o sacramento através do qual o Sacrifício Pascal de Jesus Cristo se aplica às almas, tornando-as, em primeiro lugar, filhas de Deus Pai, mas também membros da Santa Igreja de Cristo e abrindo o caminho para a salvação eterna.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Batismo

 

Fundamentação bíblica e histórica do batismo

Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, (Mateus 28, 19)

A alta mortalidade infantil da Idade média faz com que se batize a criança quanto antes. E por comodidade, aos poucos, se abandona o batismo por imersão e se passa a batizar por infusão (se derrama água sobre a cabeça). No século XIV, praticamente, não existe mais batismo por imersão.

No início do século X, o batismo começa a ser administrado também fora da Páscoa.

E no século XII, em geral, existe somente batismo de crianças. Então, o catecumenato desaparece. Este costume chega até o Vaticano II. Depois do Concílio surgem cursos para pais e padrinhos, preparando o batismo.

São Pedro diz: "Vocês são raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido por Deus, para pro-clamar as obras maravilhosas daqueles que chamou vocês das trevas para a sua luz maravilhosa. Vocês que antes não eram povo, agora são povo de Deus" (1 Pd 2, 9-10).

http://arquidiocesedecampogrande.org.br/arq/formacao/formacao-igreja/259-o-batismo-para-o-povo.html?start=13

 

Muitas declarações proféticas, bem conhecidas, exortam a uma purificação moral por meio da purificação que era simbolizada pela água (Is.1:16 e.; Jr. 4:14), e outras antecipam uma purificação a ser feita por Deus nos últimos dias (Ez. 36:25; Zc. 13:1). Além do mais, Isaias 44:3 interliga a dádiva do Espirito com a purificação futura. Qualquer que seja o fundamento histórico, João dá um novo significado ao rito da imersão ao conclamar o povo ao arrependimento devido à aproximação do Reino dos céus.

http://bibliotecabiblica.blogspot.com.br/2011/02/origem-do-batismo-de-joao.html

 

Lavem-se! Limpem-se! Removam suas más obras para longe da minha vista!  Parem de fazer o mal (Isaías 1, 16)

 

Ó Jerusalém, lave o mal do seu coração
para que você seja salva. Até quando você vai acolher
projetos malignos no íntimo? (Jeremias 4, 14)

Derramarei sobre vós águas puras, que vos purificarão de todas as vossas imundícies e de todas as vossas abominações.(Ezequiel 36, 25)

 

Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi, e para os habitantes de Jerusalém, para purificação do pecado e da imundícia. (Zacarias 13, 1).

Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes.
(Isaías 44, 3)

Quem pode batizar?

Quem ministra o Batismo é o bispo, o padre e o diácono. Na prática, são os diáconos e os padres que ministram esse sacramento. O bispo pode, entretanto, dar a qualquer cristão o ministério de batizar. Tendo a intenção exigida pelas normas da Igreja, até mesmo quem não é batizado pode batizar outra pessoa que queira receber o Batismo. As duas condições para a validade do Batismo ministrado por leigos é que queiram fazer o que a Igreja faz quando batiza e aplicar a fórmula batismal trinitária: "Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

O Batismo faz-nos membros do Corpo de Cristo, a Igreja, e faz-nos participar do sacerdócio comum dos fiéis. Desse modo, é chamado a servir os outros na comunhão da Igreja, a ser obediente e dócil aos chefes da Igreja e considerá-los com respeito e afeição. O batizado pode receber os sacramentos, ser alimentado com a Palavra de Deus e ser sustentado pelos outros auxílios espirituais da Igreja.

Uma vez batizado, o fiel se torna cristão e filho de Deus para sempre. O pecado, embora possa impedir o Batismo de produzir os frutos de salvação, de modo algum apaga essa marca. Não tem sentido, portanto, a pessoa "repetir" o Batismo. O Batismo é o selo da vida eterna.

http://www.catequisar.com.br/texto/materia/dout/lv03/16.htm

 

A responsabilidade dos padrinhos fica mais evidente quando os pais chegam a falecer. Os padrinhos são como pais espirituais. Pais, padrinhos, filhos e afilhados precisam vivenciar em espírito e em verdade o amor ao próximo e, principalmente,  a Deus.

Orai e vigiai sem cessar. (1 Tessalonicenses 5, 17): pais e padrinhos precisam analisar a realidade em que vivem e assumirem o papel de discípulos em oração constante.

Ide a todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos 16, 15):a lei que nos compromete é a justiça e o temor de Deus que se revelam no respeito à toda criação divina.

Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho (Salmo 119, 105): uma vivência de fidelidade e de oração respeitosa à  palavra de Deus são caminhos para a vida eterna e para a superação das dificuldades impostas pela condição imperfeita de filhos marcados pelo pecado original, mas já redimidos pelo sacrifício de Cristo.

Para contemplarmos a face de Deus por meio de seu rosto humano, Jesus Cristo, precisamos participar dos sacramentos instituídos por seu filho unigênito, o cordeiro pascal definitivo.

Como cristão praticante, cada filho de Deus deve assumir com seu SIM a busca pela perfeição, a busca pela construção do reino de Deus desde já aqui na terra, reino que diariamente pode começar no seio da família e que continua em nosso trabalho, em nosso lazer, em nosso estudo, em nossa oração.

 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Literatura do Rio Grande do Norte - Gothardo Netto


José Gothardo Emerenciano Netto nasceu em Natal (Rio Grande do Norte), no dia 24 de julho de 1881 e morreu na mesma cidade, em 7 de maio de 1911.

Como Itajubá, de quem era íntimo amigo, é autor de apenas um livro, também póstumo, que foi lançado em 1913, com o título de Folhas Mortas. Também jornalista, Gothardo, identicamente ao amigo, tornou-se reconhecido por sua capacidade de fazer versos, mesmo de improviso, quando das noitadas dos pastoris. Embora esmerado nos sonetos, já apontando para uma postura parnasiana, verseja e morre como autêntico romântico, bebendo sem controle, por um amor não correspondido.

(Tarcísio Gurgel in Informação da Literatura Potiguar, Natal 2001)

Apesar de ter vivido apenas 30 anos e de não ter podido completar os seus estudos, Gothardo, pelo valor de sua inspiração, situa-se, como Ferreira Itajubá, entre os grandes poetas norte-rio-grandenses do início do século passado, participando de nossas principais antologias desde Ezequiel Wanderley em 1922 até Assis Brasil, em 1999.

Filho do professor Zuza (José Ildefonso Emerenciano), que mantinha uma escola particular e dava aulas em sua residência, Gothardo Neto viveu em companhia do pai toda sua vida. As dificuldades materiais cedo obrigaram-no a suspender os estudos e entrar na vida prática, empregando-se na Capitania dos Portos, na Ribeira, e trabalhando também na redação da "Gazeta do Comércio". Pertenceu à Oficina Literária "Lourival Açucena", que publicava o jornal "O Potiguar".

Um amor impossível pela jovem Maria das Mercedes levou-o a perder o primeiro emprego; o empastelamento do jornal, o segundo. Sem amor e sem emprego, bebendo descontroladamente, viveu os últimos anos de vida na casa do pai, isolado do mundo, contatando apenas com uns poucos amigos, dentre os quais, Jorge Fernandes, Ferreira Itajubá, Ponciano Barbosa e Francisco Ivo. Foi homenageado como patrono da cadeira número 24 da Academia Norte-rio-grandense de Letras, cujo primeiro ocupante foi Francisco Ivo.

(Deífilo Gurgel e Nélson Patriota in 400 Nomes de Natal, Natal 2000)

Página Azul II


Vejo-a agora passar... Volta do banho,

Volta, que ainda as pérolas mimosas

Descem das ondas puras e formosas

Do cabelo aromático e castanho.

Na carne em flor, de um colorido estranho,

Tem vivas seduções pecaminosas...

- As antigas belezas fabulosas

Jamais brilharam em fulgor tamanho.

Todos dirão: - que mágicos olhares

Tem essa virgem lânguida e franzina,

Essa flor das morenas potiguares!

E passa ... e passa com gentil verdade,

No doce encanto da mulher divina,

No divino esplendor da Mocidade.


Fonte: geraldo2006


Acesso em 04/01/2014, às 09:30

############;

O REMANESCENTE GOTHARDO NETTO*

Humberto Hermenegildo de Araújo (UFRN)

Para Carlos Alexandre Câmara

 

Segundo o autor de Alma patrícia, o natalense José Emerenciano Gothardo Netto, nascido a 24 de julho de 1881, foi o melhor da geração de 1906 a 1911, sendo o mais lido dos rapazes da cidade, o primeiro sonetista e o autor de Folhas mortas (1913), livro publicado postumamente graças a uma inicativa da Officina Literaria Lourival Açucena, com prefácio de Antonio de Souza (o conhecido “Polycarpo Feitosa”). Segundo o prefaciador, “Gothardo Netto não era dos nossos dias; ele foi um dos companheiros do exílio de Casimiro de Abreu e da boêmia de Castro Alves...”; “Como outros sofredores da nossa terra, ele parecia influenciado pela sugestão de Musset”. (cf. WANDERLEY, 1993, p. 152).

Câmara Cascudo sugere que o poeta sofreu de tal modo a influência do meio que a sua tristeza romântica seria determinada pelo aspecto mórbido da rua e da casa onde morava, lugar de reclusão durante os cinco últimos anos da sua vida, quando escreveu versos doentios. Posteriormente, em texto publicado em 1940, o autor de O livro das velhas figuras escreve em tom de crônica, evocando a sofrida vida do poeta dos longínquos tempos do romantismo, morador de uma casa de aspecto colonial, preservada por reformas e envolvida em um clima de passado.

Gothardo Netto é o Patrono da Cadeira n. 24 da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Esse filho do professor José Ildefonso Emerenciano e de Dona Ignácia Florinda Emerenciano estudou no Atheneu Norte-Rio-Grandense, fez parte da redação da Gazeta do Commercio e d’A Capital, dirigindo mais tarde O Potyguar. Conforme registra Ezequiel WANDERLEY (1993, p. 152), ele escreveu em quase todos os jornais natalenses do seu tempo.

Amigo de Ferreira Itajubá, sendo inclusive seu companheiro de publicação no jornal O Torpedo, Gothardo Netto era também reconhecido pela sua capacidade de fazer versos, mesmo de improviso, quando das noitadas dos pastoris. Tarcísio Gurgel

representa bem esta faceta do poeta: “Deitado em uma rede, na sala de visitas da sua casa, produzia versos e mais versos, a pedidos, bebendo sem parar” (GURGEL, 2001. p. 54).

 

N’um Postal

Para o Almanak de Macau

 

Alvo e modesto este postal, Parece

Somente próprio a receber meu canto

Que nada mais de dúlcido e de santo

Tem que a meiguice virginal da prece.

Sonhos? Quem dera que os tivesse agora!

Minha vida é o rochedo

Onde a vaga estertora,

Sem jamais revelar o seu segredo!

Ah! Quem dera que sempre uma sereia,

No mistério soturno e funerário,

Guardasse esse rochedo solitário

 


.......................................................

Paróquia do Divino Espírito Santo de Morada Nova, Ceará: Romaria do ECC e do Terço dos Homens para a abertura da festa de São Sebastião no distrito de Roldão (10/01/2014) às 18:00











sábado, 4 de janeiro de 2014

Literatura do Rio Grande do Norte - Ferreira Itajubá

Manoel Virgílio Ferreira nasceu em 21 de agosto, de um ano ainda incerto, na cidade do Natal, Rio Grande do Norte. Foi filho do pescador Joaquim José Ferreira e da artesã Francisca Ferreira de Oliveira. O ano de seu nascimento é impreciso, a dúvida fica entre 1875, 1876 e 1877. Alguns autores defendem o ano de 1875, como afirma Clementino Câmara no discurso de posse da Academia Norte-rio-grandense de Letras (1951), enquanto outros 1876, como é caso de Ezequiel Wanderley e Câmara Cascudo,

respectivamente, nas obras Poetas do Rio Grande do Norte (1922) e Alma Patrícia (1921).

O irrequieto Itajubá, além de oficiar a doutrina protestante, era adepto da maçonaria, sócio benemérito e orador da Liga Artístico-Operária “a mais antiga sociedade operária do Estado” (GOMES, 1944:31), entidade que defendia princípios socialistas.

Casou-se duas vezes, a primeira vez com Emília Marques da Silva, com quem teve um filho, Nazareno Ferreira Itajubá, e a segunda vez com Maria Antonieta.

Ferreira Itajubá era um participante ativo de eventos político-sociais (inaugurações, homenagens, benefícios) nos quais esbanjava sua verve em oratória apossando-se das tribunas, discursando com entusiasmo e fervor na defesa de suas convicções.

Como se vê, nunca fora de grandes posses e de escolaridade ampla, por isso fora incompreendido pelo espírito inquieto, diminuído pelo seu comportamento boêmio, criticado por sua linguagem menor e julgado muitas vezes como incapaz de ser poeta.

No início de 1912, já doente, viaja para o Rio de Janeiro em busca de tratamento, aonde vem a falecer na Santa Casa de Misericórdia, em 30 de julho de 1912.

http://www.cchla.ufrn.br/shXVIII/artigos/GT30/PINHEIRO%20Mayara%20Costa%20Ferreira%20Itajuba%20Algumas%20consideracoes%20sobre%20autor%20e%20obra%20-%20GT%2030.pdf. Acesso em 03/01/2014, às 08:46.

 

Existem controvérsias quanto à sua data de nascimento. O próprio poeta assinou certo documento declarando que nasceu em 1877. Na casa em que nasceu, na rua Chile, 63, existe hoje uma placa de mármore com os dizeres: 1875. Câmara Cascudo defende o ano de 1876.

Ferreira Itajubá aprendeu as primeiras letras, com o professor Tertuliano Pinheiro (Terto) e com Joaquim Lourival Soares da Câmara, o Professor Panqueca, filho do consagrado poeta Lourival Açucena.

Era filho de potiguares. Seu pai, Joaquim José Ferreira, morreu de varíola quando ele tinha apenas seis anos. Sua mãe, Francisca Ferreira de Oliveira, nasceu em Morrinhos, no município de Touros. Foi ela quem criou o poeta, que teve que trabalhar desde cedo.

Aos doze anos, começou a trabalhar na loja de Antônio Sátiro, na rua Chile. Depois de quatro anos, foi morar em Macau, onde trabalhou na loja de Antônio Deodato. Lá, adoeceu de varíola e logo retornaria a Natal, e ao antigo emprego, mas com melhor salário e permissão para estudar. Mas com a morte de seu patrão, teve de procurar por outras fontes de renda. Fundou um circo no quintal de sua casa, e trabalhou como escrevente na Associação de Praticagem, em Natal, Macau e Areia Branca. Foi bedel da escola onde estudou, o Atheneu, e pintava letreiros comerciais nas horas vagas.

Funda em 1896, o jornal literário O Echo, de circulação semanal. No ano seguinte, funda a revista A Manhã. Escreveu para quase todos os jornais de seu tempo, entre eles: A República, Diário de Natal, Gazeta do Comércio, A Capital, O Trabalho, O Arurau, A Tampa, A Rua, Pax, O Torpedo.

Sua poesia era ligada ao Romantismo, mas com influência do Parnasianismo e do Simbolismo.

Foi criticado pela condição econômica e também pela pouca escolaridade.

Obra

  • Terra Natal (1914)
  • Harmonias do Norte(1927)
  • Dispersos(2009)
  • Lenda de Extremoz
  • Perfil de Jesus

Ferreira Itajubá escreveu o poema No Campo Santo, em homenagem póstuma ao também poeta e conterrâneo Lourival Açucena:

Cquote1.svg
Morreste e não soubeste, ó grande veterano,
Que, quando por Natal, a rosa todo ano
Floresce alegremente, entre as demais roseiras,
O prado embalsamando, ao lado das primeiras,
esta alma não rebenta em rosas de ilusão
Como quando cantaste ao som do violão.
Cquote2.svg

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferreira_Itajub%C3%A1. Acesso em 03/01/2014, às 08:31

 

Agosto. O claro mês dos meus anos. Que anseio

De ser asa migrante e fugir pelos ares,

Pelos longes do céu, através desses mares,

Em busca do calor do sol de um clima alheio!

     Mistério e inconstância. Duas palavras que podem definir os quase 35 anos de vida do poeta Ferreira Itajubá. O mistério começa pelo seu nascimento que, não se sabe ao certo, pode ter acontecido em 1875, 76 ou 77. O último ano é o mais provável. A 21 de agosto para ser mais preciso. Pelo menos foi o que assinalou o próprio poeta no termo de nomeação para servente na Associação de Praticagem. Onde nasceu? No Rio Grande do Norte, provavelmente na Praia de Touros. O sobrenome com o qual passou para a História também não era seu. Nascido Manuel Virgílio Ferreira, incorporou o Itajubá em seus primeiros versos e depois definitivamente à sua vida. A inconstância aparece no que em circunstâncias normais se chamaria de vida profissional. Foi auxiliar do comércio, orador popular, jornalista, professor, funcionário público e dono de circo, cujos espetáculos tinham lugar no quintal de sua casa. Mas acima de qualquer coisa, Ferreira Itajubá exerceu duas principais “funções” em sua passagem por este mundo: a de poeta e de boêmio.

 

Que saudade sem fim de outras terras me veio!

Que ânsia de me esquecer por estranhos lugares!

Pois se não tenho aqui lenitivo aos pesares,

Quanto mais quem me aqueça ao mormaço de um seio!

 

     Ferreira Itajubá tinha alma de poeta. Talvez daí sua brevidade neste mundo. Com a alma cheia de poesia, não precisou de grandes estudos. Tinha apenas a instrução primária. Segundo Câmara Cascudo, “morreu sem suspeitar a existência da gramática”. O que em nada diminui o valor de seus versos, “de um lirismo espontâneo, sonoros e ricos de seiva poética”, como disse Veríssimo de Melo. Na introdução de Poesias Completas - obra que reúne os dois livros de Ferreira Itajubá, Terra Natal e Harmonias do Norte -, Esmeraldo Siqueira observa: “No poema de Itajubá, o largo sopro lírico assume facetas sugestivas e variadas. É romântico, amoroso, saudosista, filial, regionalista, patriótico. Não lhe falta mesmo a nuança filosófica, o sentimento da fuga vertiginosa do tempo e da precariedade da vida”.

Minha mãe? Minha irmã? Duas mulheres santas

Mas inda falta alguém nesse longo caminho

Que tem na mocidade o perfume das plantas...

     Alma de poeta e de criança. Já adulto, empinava enormes papagaios (pipas, pandorgas) de papel de seda e, na época de São João, virava fogueteiro. Seu humor também era mostrado no jornal O Echo, que ele mesmo criou. Colaborou em todos os jornais da época. Ainda que raramente, também nos jornais A República e Rio Grande do Norte, políticos e sisudos, bem diferentes de seu estilo boêmio. Como homem simples e com a loucura dos poetas, também buscou auxílio na Bíblia, encarnando um pastor.

E como não posso ir, e como vais e eu fico,

À noiva que me espera à beira de algum ninho,

Ave de arribação, leva esta flor no bico!

     A mãe, a irmã e a misteriosa Branca eram suas fontes de inspiração. E quem era Branca? Seu amor , às vezes perto, às vezes distante, junto ao marido e que, segundo o escitor Nilson Patriota, em seu livro Itajubá Esquecido, poderia ser Emília Ribeiro, nativa da Praia de Touros. O poeta que vivia de saudades e amores oníricos morreu no Rio de Janeiro, para onde tinha ido em busca de recursos médicos inexistentes em Natal, a 30 de junho de 1912. Lá foi enterrado e, anos depois, por iniciativa de Henrique Castriciano, seus restos mortais foram levados para Natal e temporariamente depositado no ossuário da Igreja de Bom Jesus das Dores. Numa das remodelações da igreja, um frade juntou “as velharias existentes, inclusive os ossos que encontrou aqui e ali e lançou tudo numa vala comum, ao lado da igreja”. Os ossos de Itajubá estavam no meio. Termina assim a breve história do poeta, bem diferente do que ele imaginara.

Hei de morrer cantando

num domingo formoso

Quando alveja no espaço o luar saudoso

O fulgor das estrelas empanando

 

http://www.memoriaviva.com.br/itajuba/. Acesso em 03/01/2014. 08:18.

 

Recordação

 

Vi-te. Era noite, a lua descorada

Brilhava nas paragens luminosas

E a noite estava toda embalsamada,

Por que exalavam no canteiro as rosas.

Das esferas azuis, de etéreas pagas.

A luz descia cristalina, em jorros:

Ao longe as águas sem rumos das vagas

E a solidão tristíssima dos morros!

 

Quando te vi, quando me viste, amamos...

Branca, não sei se recordas... quando

Era a terra um rosal e, pelos ramos,

O mês do incenso ia desabrochando...

Amamo-nos e vivemos docemente

Sobre aterra cheirosa, erma de escolhos,

E eu me banhava apaixonadamente

No santíssimo orvalho de teus olhos

 

Que febre imensa a do primeiro beijo!

Mornos, teus seios virgens palpitavam...

Ah, quantas vezes, cheios de desejo

Os meus lábios nos teus castanholavam!

Então, se eu te falava em noivado,

Tu me dizias:”meu amor espera,

Deixa que alveje a lua se pecado,

Até que volte o sol da primavera”

 

Desse tempo risonho do passado

Cheio de tantos sonhos, de ilusões,

Eu tenho o peito agora incendiado

No fogo vivo das recordações...

De ti me lembro. e quando, nestas plagas,

A luz desaba cristalina, em jorros,

Eu vejo ao longe, sem rumos, as vagas

E a solidão tristíssima dos morros.

 
Barcarola

Não te recordas, querida,
Da noite em que nos amamos,
Sob a frescura dos ramos
Da laranjeira florida?
Gemia a viola na aldeia,
A brisa um hino entoava
E a luz da lua inundava
A terra, de rosas cheia!

Lá na planície da serra,
junho alourava as espigas,
vinham de longe as. cantigas
das moças de minha terra,
quando te vi, linda flor,
e da nolte à doce calma,
derramaste na minha alma
o efluvio do teu calor!

Saudade! quanta saudade
da noite em que, ao céu sereno,
tu me abriste o seio, pleno
de aroma e de mocidade!
A' sombra da laranjeira,
por ti, visão da alegria,
do meu beijo a cotovia
cantou, pela vez primeira!

Tu esqueceste os ditosos
domingos embalsamados,
e os cantos apaixonados
dos jangadeiros saudosos
que, ao céu transparente e azul,
do estio nas tardes belas,
passavam, molhando as velas
abertas ao vento sul!

Tudo esqueceste, e mais nada
resta em tua alma enganosa,
dessa paixão desditosa,
dessa ilusão desfolhada,
que lembro todos os dias,
pensativo, a cada instante,
Ó lavandisca inconstante
das areias alvadias!

Talvez que esta alma não possa
acreditar, nunca mais,
nos teus beijos aromais,
nos teus sorrisos de moça!
Ai, meu doce malmequer,
que me deixaste em janeiro,
- como tudo é passageiro
no coração da mulher!