quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Educação Frente às Novas Tecnologias: Perspectivas e Desafios

A Educação Frente às Novas Tecnologias: Perspectivas e Desafios
Autor: Márcio Balbino Cavalcante

Estamos diante de um novo século, com uma nova sociedade, a sociedade da informação, com novo formato de receber e transmitir informação, e de uma busca interminável de conhecimento. As pessoas hoje em dia, têm acesso ao mundo e as suas tradições culturais, com muita mais eficácia e rapidez que ontem. Com a explosão da computação e, conseqüentemente da internet, passou-se a considerar que disponibilizar informação em uma página da Internet seria um processo educativo contínuo e a formação da língua escrita dessa pessoa, estaria sendo realmente transmitida, de forma correta. Será mesmo? E qual seriam realmente as vantagens e desvantagens dessa interferência digital em nossos dias? As recordações da Educação nos dizem que, educar não é adestrar, nem governar informações para um indivíduo e sim servir como mediador desse processo.

Este artigo de cunho teórico pretende apresentar alguns indicativos e idéias que possam orientar a otimização dessa apropriação por estudantes de educação do nível Básico e superior de uma forma geral. Essa nova, denominada Sociedade do Conhecimento, não pode exonerar a educação formal que se sistematiza na instituição escolar, ainda que, crianças, adolescentes, jovens e adultos, sejam bombardeadas por informações diariamente com uma velocidade cada vez maior pelos mais diferentes meios de comunicação, como a televisão, os rádios, internet. Relata Moacir Gadotti (2002), pelo avanço das novas linguagens tecnologias, precisam ser selecionadas, avaliadas, compiladas e processadas para que se transformem em conhecimento válido, relevante e necessário para o crescimento do homem como ser humano em um mundo alto sustentável. Segundo Pierre Lévy (2000), as tecnologias intelectuais, assim chamadas por não serem simples instrumentos, mas por influírem no processo cognitivo do indivíduo, vão ser os parâmetros utilizados nessa busca de compreensão da estrutura caótica social. Essas tecnologias sempre estiveram presentes na sociedade e, de certa forma, influenciam na percepção e conceitualização do mundo. É notório dizer que, a presença das novas tecnologias nas mais diversas esferas da sociedade contemporânea, é imprescindível, orientar os docentes para uso das novas tecnologias de comunicação e de informação, como tecnologias interativas em projetos políticos pedagógicos, tanto no seu desenvolvimento contínuo, quanto na sua prática em sala de aula, se faz imprescindível. Essa urgência se deve, não apenas, no sentido de preparar as pessoas para usufruí-las, mas especialmente, para prepará-los como leitores críticos e escritores conscientes das mídias que servem de suporte a essas novas tecnologias de informação. Não basta ao cidadão, hoje, só aprender a ler e escrever textos na linguagem verbal. É necessário que ele aprenda a ler e as diversas linguagens, e as suas representações que são usadas nas mais diversas áreas da revolução tecnológicas decodificadas como o computador, os programas multimídias de computação, as Nets redes (sistemas http// e www), os códigos de barras, etc.

Conceituando as tecnologias digitais de informação e de comunicação


O que entende-se por novas tecnologias digitais? Entendemos por novas tecnologias digitais a aplicação de um conhecimento científico ou técnico, de um “saber como fazer”, de métodos e materiais para a solução de uma dada dificuldade, este texto tratará das Tecnologias de Comunicação e das Tecnologias de Informação como intermediadores do processo de ensino e aprendizagem e como tecnologias mútuas. A Tecnologia de Comunicação designa toda forma de veicular informação. Têm-se como ambiente de veiculação, incluindo desde as mídias mais tradicionais, como os livros, o fax, o telefone, os jornais, o correio, as revistas, o rádio, os vídeos, até as mídias modernas como a informática e a Internet. A segunda é a Tecnologia de Informação designa toda forma de determinar, gravar, armazenar, processar e reproduzir as informações. Como exemplos de suportes de armazenamento de informações são: o papel, os arquivos, os catálogo, os HD’s dos computadores, os CD’s, DVD’s ou agora, os PEN DRIVES, os MP3, MP4, etc. Dispositivos que permitem o seu processamento, são os computadores e os robôs, e exemplos de aparelhos que possibilitam a sua reprodução são a máquina de fotocopiar, o retroprojetor, o projetor de slides (data show). As novas tecnologias de informação e de comunicação, usadas na comunicação social, estão cada vez mais interativas, pois permitem a troca de dados dos seus usuários com recursos que lhes permitem alternativas e aberturas das mais diferentes, os programas de multimídia, como o vídeo interativo, a Internet e o Telecongresso. São essas novas tecnologia que permitem a preparação e manipulação contígua de teores específicos por parte do professor/aluno (emissor) e do aluno/professor (receptor), codificando-os, decodificando-os, recodificando-os conforme as suas realidades, as suas histórias de vida e a tradições em que vivem; permitindo um entendimento mais eficaz, alternando os papéis de emissor e receptor, como co-protagonistas e contribuintes da ação cognitiva. Nos dias de hoje, os diferentes usos dessas mídias (tecnologias) se confundem e passam a ser característicos das Tecnologias de Informação e de Comunicação, que mudam os padrões de trabalho, do lazer, da educação, do tempo, da saúde e da indústria e criam, assim, uma nova sociedade, novas atmosferas de trabalho, novos ambientes de aprendizagem. Criando-se um novo tipo de aluno que necessita de um novo tipo de professor. Um professor ligado e compromissado com o que esta acontecendo ao seu redor. Tecnologias colaborativas são as que consentem à otimização do trabalho em equipe. Explicitando, as novas tecnologias de informação e de comunicação podem ser utilizadas para se alcançar objetivos individuais isoladamente. Assim, quando um professor pesquisa certo assunto, em bases de dados da Internet e, ao descobrir documentos importantes, guarda-os para seu uso particular em sua biblioteca virtual individual (CD-Rom, disquetes ou no disco rígido do seu computador), os seus objetivos individuais não estão sendo admirados. Se, por outro lado, comunica a existência desses textos a outros professores que estão trabalhando com ele (de forma interdisciplinar) em um projeto comum, propondo uma discussão conjunta através dos serviços da própria Internet (e-mail, teleconferência), essa tecnologia se reveste de uma característica que otimiza a colaboração, daí ser então denominada de tecnologia colaborativa.

Lecionar e Aprender na era tecnológica

Trabalhar com as tecnologias (novas ou não) de forma interativa nas salas de aula requer: a responsabilidade de aperfeiçoar as compreensões de alunos sobre o mundo natural e cultural em que vivem. Faz-se, indispensável o desenvolvimento contínuo de intercâmbios cumulativos desses alunos com dados e informações sobre o mundo e a história de sua natureza, de sua cultura, posicionando-se e expressando-se, de modo significativo, com os elementos observados, elaborados que serão melhor avaliados. Ao se trabalhar, adequadamente, com essas novas tecnologias, Kenski constata-se que:

“a aprendizagem pode se dar com o envolvimento integral do indivíduo, isto é, do emocional, do racional, do seu imaginário, do intuitivo, do sensorial em interação, a partir de desafios, da exploração de possibilidades, do assumir de responsabilidades, do criar e do refletir juntos.” (KENSKI,1996).

Esta é a parte visível da introdução de novas tecnologias na educação. A estrutura das salas de aula deverá mudar como já mudaram em algumas instituições de ensino no Brasil e estão mudando em muitas regiões do mundo. A implantação (mudança) se inicia e continua com a criação de certa infra-estrutura tecnológica e de um programa de utilização em que os professores sejam treinados operacionalmente, capacitados metodologicamente e filosoficamente para a utilização dessas novas tecnologias na sua prática pedagógica.

O papel dos professores tem que mudar também, e os cursos superiores precisam preparar esses novos docentes para não perderem o controle das tecnologias digitais que são requeridas ou se dispõem a usar em suas salas de aulas. Os professores precisam aprender a manusear as novas tecnologias e ajudar os alunos a, e eles também, aprenderem como manipulá-las e não se permitirem serem manipulados por elas. Mas para tanto, precisam usá-las para educar, saber de sua existência, aproximar-se das mesmas, familiarizar-se com elas, apoderar-se de suas potencialidades, e dominar sua eficiência e seu uso, criando novos saberes e novos usos, para poderem estar, no domínio das mesmas e poderem orientar seus alunos a “lerem” e “escreverem” com elas. Os professores não devem substituir as “velhas tecnologias” pelas “novas tecnologias”, devem, antes de tudo, se adequar das novas para aquilo que elas são únicas e resgatar os usos das velhas em organização com as novas, isto é, usar cada uma naquilo que ela tem de peculiar e, portanto, melhor do que a outra. O uso e influência das novas tecnologias devem servir ao docente não só em relação à sua atividade de ensino, mas também na sua atividade de pesquisa continuada. E a pesquisa com as novas tecnologias tem características diferentes que estão diretamente ligadas à procura da constante informação.

Os docentes devem construir e trabalhar em conjunto com seus alunos não só para ajudá-los a aumentar capacidade, métodos, táticas para coletar e selecionar elementos, mas, especialmente, para ajudá-los a desenvolverem conceitos. Considerações que serão o alicerce para a edificação de seus novos conhecimentos. Como descrever Gadotti, o professor “deixará de ser um lecionador para ser um organizador do conhecimento e da aprendizagem (...) um mediador do conhecimento, um aprendiz permanente, um construtor de sentidos, um cooperador, e sobretudo, um organizador de aprendizagem” (Gadotti, 2002). Para finalizar estas idéias, não podemos deixar de destacar a importância de se repensar os métodos docente a partir de uma maior valorização da metodologia de interação e colaboração mutua que devem estar presentes proporcionalmente na educação à distância quanto na educação presencial, escolha metodológica tão discutida hoje em dia e que vem sendo exercitada por profissionais das áreas mais variadas da educação. É muito inquietante como os professores estão se afastando dessas práticas alternativas, apresentando, com isso, muita oposição e resistência.

A educação precisa repensar seus métodos curriculares e preparar seus docentes tanto para se apropriarem das novas tecnologias de informação e comunicação quanto para a prática da educação a distância que se vê viabilizada. Os Cursos de Educação à Distancia são exemplos desta iniciativa. Também o Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação à Distância - SEED, estão apoiando com seus vários “sistemas de formação de professores” que envolve o ensino a distância por seus diversos programas por essas novas tecnologias digitais, tais como o Pró-infantil, Pró-formação, Pró-licenciatura, Pró-letramento, Atendimento Educacional Especializado e tantos outros.

Considerações Preliminares

Os professores precisam sempre estar reciclando seus conhecimentos e só depois eles poderão ter a competência para escolher se querem ou não usá-las, se quer ou não praticá-las na educação a distância ou não. O que não é mais aceitável é que se faça resistência a umas e/ou a outra tecnologia, seja ela, de comunicação ou de informação, por insegurança ou falta de proficiência. Portanto, os professores, educadores e docentes de ensino superior, precisam estar profissionalmente qualificados e, hoje, não se pode falar em qualificação sem assimilação das novas tecnologias. Ao usar essas novas tecnologias, é fundamental que ele não se deixe usar por elas. É primordial que os professores se ajustem, deste modo, às diferentes tecnologias de informação e de comunicação.

Por fim, considero que, os processos de construção de conhecimento sobre a forma de aprendizagem de alunos e professores são fenômenos que necessitam ser mais estudados por ambos, mais, principalmente pelos professores que devem estar em uma constante busca de conhecimentos, de novas tecnologias. Pois, seus novos alunos já estão vindo, muita das vezes, com uma bagagem de conhecimento bem maior à que a dele.

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Maria Elizabeth de. Informática e formação de professores. Brasília: Ministério da Educação, 2000.
BRASIL. Ministério da Educação e Secretaria de Educação a Distância – SEED. Informações e Comunicações: Tecnologias a serviço da educação e da inclusão. Brasília: SEED, 2004.
GADOTTI, Moacir. A boniteza de um sonho: aprender e ensinar com sentido. Abceducatio, Ano III, n. 17, p. 30-33, 2002.
KENSKI, Vani Moreira. O Ensino e os recursos didáticos em uma sociedade cheia de tecnologias. In VEIGA, Ilma P. Alencastro (org). Didática: o Ensino e suas relações. Campinas, SP: Papirus, 1996.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2000.
MACHADO, Nilson José. Epistemologia e Didática: As concepções de conhecimento e inteligência e a prática docente. São Paulo: Cortez, 1996.
MORIN, Edgar. A religação dos saberes: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
SILVA, Tomaz Tadeu da e et all. Antropologia do Ciborgue - as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

Márcio Balbino Cavalcante - Professor e Consultor na área de Educação e de Meio Ambiente. É graduado em Geografia - UEPB; Pós-graduado em Ciências Ambientais - FIP/PB; Coordenador de Projetos Educacionais da Secretaria Municipal de Educação do município de Passa e Fica - RN. Professor de Geografia e Ciências na Escola Estadual Sen. João Câmara, Passa e Fica - RN.


http://www.profala.com/arteducesp149.htm

19/01/2011, 17:03


Semana de Homanidades da UECE-UFC 2011

Semana de Humanidades começa a inscrever trabalhos Imprimir E-mail
11-Jan-2011
A organização da VIII Semana de Humanidades UFC/UECE e do II Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação em Humanidades recebe inscrições, até 25 de fevereiro, de interessados em apresentar trabalhos.
Poderão ser propostos minicursos, oficinas e mesas-redondas, além de resumos para apresentação de comunicação oral ou poster. Os editais estão no site www.semanadehumanidades.ufc.br, bem como os formulários de inscrição.
A Semana e o Encontro vão acontecer de 3 a 6 de maio próximo, tendo como tema “Humanidades: entre fixos e fluxos”.
Fonte: Coordenação da VIII Semana de Humanidades UFC/UECE e do II Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação em Humanidades - (fone: 85 3366 7602 begin_of_the_skype_highlighting 85 3366 7602 end_of_the_skype_highlighting / 3366 7603)

Artigo sobre leitura

COMPREENSÃO DA LEITURA COMO
FATOR DETERMINANTE PARA
O RENDIMENTO ESCOLAR:
APLICAÇÃO DA TÉCNICA DE CLOZE
EM ESTUDANTES NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Maria Lúcia Francisco Damásio*
RESUMO:
Este artigo foi criado a partir de um relatório bimestral e aborda
algumas estratégias utilizadas no projeto de pesquisa: a compreensão
da leitura como fator determinante para o rendimento escolar:
aplicação da técnica de cloze em estudantes na Educação Básica,
desenvolvido pelas alunas voluntárias do curso de Pedagogia da
Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA com os alunos e alunas
da 3ª e 4ª séries do Ensino Fundamental, tendo como ponto principal
o objeto de conhecimento em si mesmo como instrumento necessário
para a realização de novas aprendizagens, no sentido de ampliar os
horizontes das séries iniciais do Ensino Fundamental. O ato de ler
ativa uma série de ações na mente do leitor, por meio das quais ele
extrai informações. Essas ações são denominadas “estratégias de
leitura” e, na sua maioria, passam despercebidas pela consciência.
Elas ocorrem simultaneamente, podendo ser mantidas, modificadas
ou desenvolvidas durante a apropriação do conteúdo.
Palavras-chave: Compreensão em leitura; Técnica de Cloze;
Educação Básica.
* Mestre em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Professora da
Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).
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124 Maria Lúcia Francisco Damásio
REVISTA NOVAS IDÉIAS, RECIFE, V.1, N.1, P. 123-128, JAN. JUN. 2008
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Há quase duas décadas atuando em escola pública estadual, sempre
me incomodaram as queixas dos colegas de profissão do Ensino
Fundamental, isto é de Português, Geografia, História, Ciências, enfim;
de que os alunos chegam à 3ª série e/ou 4ª série e não sabem ler,
não compreendem e, muito menos, sabem interpretar.
De acordo com LDB Lei 9.394, o professor de todas as áreas tem
o compromisso de promover a produção da leitura e da escrita.
Segundo Maria da Graça Val (2002), em depoimento no
documentário “Salto para o Futuro”, diz: o professor de português é
o ser mais desamparado do planeta, pois é culpabilizado por toda
não-habilidade lingüística do estudante para, pelo menos, ser um razoável
leitor e produtor de texto.
Como educadora, venho observando ao longo dos anos as práticas
educativas em escolas públicas e particulares, com tendências
mais tradicionais ou construtivistas, que as professoras do Ensino
Fundamental responsabilizam sempre a série anterior a que ela se
encontra e não reflete que cabe a cada professor construir suas práticas
pedagógicas embasadas em teorias; porém, elas são elementos
norteadores, e não receitas prontas.
Neste contexto, é muito difícil o aluno gostar de ler, se o professor
não o faz; porém, este é um tema que envolve outras questões que
poderão ser desenvolvidas em outro momento.
Examinaremos, a seguir, algumas estratégias utilizadas pelas alunas
voluntárias que participaram do projeto de pesquisa da Universidade
Estadual Vale do Acaraú – UVA sobre o tema: Compreensão da
leitura como fator determinante pra o rendimento escolar: Aplicação
da técnica de cloze em estudantes na Educação Básica, que tem, como
objetivo geral, analisar a relação entre a compreensão em leitura e o
rendimento escolar dos alunos do Ensino Fundamental, com base no
teste de cloze na disciplina específica de Português.
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1.1 Algumas Estratégias de Leitura Utilizadas pelas Alunas
Voluntárias do Projeto
Segundo alguns estudiosos, estratégias de leitura são técnicas ou
métodos que os leitores usam para adquirir a informação, ou ainda
procedimentos ou atividades escolhidas para facilitar o processo de
compreensão em leitura. São planos flexíveis, adaptados às diferentes
situações, que variam de acordo com o texto a ser lido e a abordagem
elaborada previamente pelo leitor para facilitar a sua compreensão
(Pellegrini, 1996; Kopke, 2001). Eis:
Identificamos seis tipos de estratégias de leitura realizadas durante
o projeto como auxiliares no processo de compreensão: visita à
biblioteca, predição, leitura silenciosa, pensar em voz alta, resumo,
questionamento.
• A predição: as voluntárias sempre iniciavam a aula com um
bate-papo informal antes da leitura, tentando ativar o conhecimento
prévio que implica antecipar, prever fatos ou conteúdos
do texto, utilizando o conhecimento já existente para
facilitar a compreensão.
• Leitura silenciosa: foi aplicada esta estratégia durante vários
encontros nos quais a professora solicitava às crianças que circulassem
com as palavras que não conheciam, deixando-os bem
à vontade, para, logo após, a professora voluntária explicar o
significado das palavras circuladas e promover uma sessão de
perguntas e respostas básicas, fazendo com que os alunos voltassem
a ler o texto. Nessa ida e vinda, os alunos se apropriavam
de outras estratégias embutidas, conduzindo à releitura.
• Leitura em voz alta é quando o leitor verbaliza seu pensamento
enquanto lê. Tem sido demonstrada melhora na compreensão
dos alunos quando, eles mesmos, se dedicam a esta
prática durante a leitura, e também quando professores usam
rotineiramente esta mesma estratégia durante suas aulas.
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Maria Lúcia Francisco Damásio
REVISTA NOVAS IDÉIAS, RECIFE, V.1, N.1, P. 123-128, JAN. JUN. 2008
• Resumir foi outra estratégia desenvolvida durante o projeto. Após
a leitura individual dos alunos, a professora debatia as informações
do texto, facilitando a compreensão global do mesmo, pois
“resumir” implica seleção e destaque das informações mais relevantes
do texto julgadas pelo aluno a princípio.
• Questionamento foi uma estratégia na qual as professoras
voluntárias sempre instigavam os alunos e alunas, fazendo
com que eles participassem de uma leitura compartilhada; o
que é extremamente importante. Pesquisas indicam também
que a compreensão global da leitura é melhor quando alunos
aprendem a elaborar questões sobre o texto.
• Visita à biblioteca é extremamente importante. No caso, houve
uma visita à biblioteca improvisada, onde as voluntárias estabeleceram
para os alunos o chamado “cantinho da leitura”,
no qual eles ficaram à vontade, familiarizando-se com o ambiente
e até manuseando espontaneamente os livros ali distribuídos,
sob a orientação da professora, que, após esse primeiro
momento, introduziu a pré-leitura de alguns textos.
É importante lembrar que as estratégias de leitura também auxiliam
no estudo, favorecendo a obtenção de um nível de compreensão
melhor. Exigem participação ativa do leitor, podendo ser aplicadas a
qualquer tipo de texto e em qualquer momento da leitura, com ou
sem ajuda externa (Oakhill e Garnham, 1988).
Dentre as estratégias de leitura que professores podem ensinar, uma
delas é focar a atenção dos alunos nas idéias principais; perguntar aos
alunos questões sobre seu entendimento para ajudá-lo a monitorar sua
compreensão; relacionar o conhecimento prévio dos alunos com nova
informação; professores podem questionar e designar feedback para
ajudar os alunos a aplicarem técnicas e estratégias de estudo apropriadas;
podem treinar os alunos a usarem essas estratégias e técnicas de
maneira mais efetiva; utilizar reforços positivos verbais e de escrita
com os alunos que apresentam baixa compreensão; podem-se fazer
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questões aos alunos para ajudar a reconhecer a contradição entre o que
ele realmente conhece e o que ele pensou conhecer, mas não conhece;
além de considerarem a variedade dos textos estruturados na preparação
dos textos para alunos e plano de aula.
Considerando-se esses aspectos, o ensino de estratégias de leitura
abre novas perspectivas para uma potencialização da leitura, possibilitando
aos alunos ultrapassarem dificuldades pessoais e
ambientais, de forma a conseguir obter um maior sucesso escolar.
Essas estratégias podem e devem ser ensinadas nas séries iniciais do
Ensino Fundamental.
2. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Durante os últimos dois meses, o projeto vem sendo executado
duas vezes por semana por duas alunas voluntárias de Pedagogia em
escola da rede estadual. Lá, mensalmente, nos reunimos para planejar
os encontros seguintes.
É preciso entender que ler não é um ato mecânico de
decodificação; é muito mais que isso. É o estabelecimento de relações
dentro de contextos, de vivências de mundo; não são frases ou
palavras soltas, mas são as lidas proficientemente que nos levam a
entender que isso seja o ato de ler.
Conforme SOLÉ (2001), ler é compreender, e não apenas
decodificar. Pelo menos, do ponto de vista teórico, esse novo conceito
está incorporado aos conhecimentos da maioria dos professores.
Ler é um ato complexo que exige sacrifício, é ir e voltar pelo texto.
Ler é descobrir e descobrir-se; não é simplesmente passar os olhos
por cima das palavras.
É também criar mecanismos para que a palavra tenha vida, significado,
emoção e prazer. Enfim, ler é bom, desde que se leve em conta
o contexto de uma escola e de uma sociedade comprometida com a
leitura, com a formação de leitores para toda a vida e não somente
com leitores escolares, leitores de momento, leitores da moda.
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Maria Lúcia Francisco Damásio
REVISTA NOVAS IDÉIAS, RECIFE, V.1, N.1, P. 123-128, JAN. JUN. 2008
O que nós, professores, esperamos é que todos os alunos e alunas
interpretem o mesmo texto; porém, isto não acontece existindo ainda
alunos e alunas com nível de leitura só na decodificação de símbolos
gráficos. Segundo SOLÉ (1998), a compreensão que cada um realiza
depende do texto que tem a sua frente, mas também depende muito
de outras questões, próprias do leitor, entre as quais ressalta pelo
menos as seguintes: o conhecimento prévio para abordar a leitura, os
seus objetivos e a motivação com respeito a essa leitura.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BROWN, D. (1994). Principles of language learning and teaching.
Prentice – Hall Anglewood Cliffs.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 11. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria e prática. 5. ed. Campinas:
Pontes, 1997.
KOPKE, H. F. (2001). Estratégias em compreensão da leitura: conhecimento
e uso por professores de língua portuguesa. Tese de doutorado
em lingüística. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade
de São Paulo. São Paulo.
PELLEGRINI, M. C. K. (1996). Avaliação dos níveis de compreensão e atitudes
frente à leitura em universitários. Dissertação de Mestrado. Faculdade
de Ciências Humanas, Universidade São Francisco, Bragança Paulista.
SALTO PARA O FUTURO. Ministério da Educação. Secretaria de educação
a Distância. 2002.
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.
OAKHILL, J. & Garnham, A. Becoming a skilled Reader. NY: Basil
Blackwell Ltd. 1988.
PELLEGRINI, M. C. K. (1996). Avaliação dos níveis de compreensão e atitudes
frente à leitura em universitários. Dissertação de Mestrado. Faculdade
de Ciências Humanas, Universidade São Francisco, Bragança Paulista.

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3. Os textos devem ter no máximo 20 laudas e devem vir
acompanhadas, no caso de artigos, de resumos em inglês e
português. Os resumos não devem ultrapassar 150 palavras;
Os trabalhos serão aceitos em português.
Os artigos devem ser enviados
para novasideias@isead.com.br

http://www.isead.com.br/isead/jpg/revista/Pagina-123-132.pdf
19/01/2011, 16:51
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sites interessantes - X

http://tercodoshomensmaerainhamossoro.blogspot.com/

II Motorromaria de Morada Nova a Canindé: 16/01/2011 na internet

Sites que divulgam a II motorromaria do terço dos homens de Morada Nova a Canindé em 16/01/2011.

II Motorromaria de Morada Nova a Canindé tem inscrições abertas



A Coordenação do Terço dos Homens Mãe Rainha da Paróquia do Divino Espírito Santo de Morada Nova - Ceará, Diocese de Limoeiro do Norte, convida a todos a participar da:

II Motorromaria de Morada Nova a Canindé


Data: 16 de janeiro de 2011.
Concentração: 04:00 horas da manhã na Praça Maestro Coutinho (praça do balão)
Saída: 05:00 horas da manhã
Inscrição: R$ 17,00 (referente à blusa do evento)
Responsável: Irmão Marcus Vinícius (coordenador paroquial)
Local de inscrição: Banco do Brasil de Morada Nova ou Igreja Matriz do Divino Espírito Santo
Contatos: Casa paroquial de Morada Nova: (88) 3422-1020:
Irmão Benedito: (85) 9617-8216 ou (88) 8808-8230
Irmão Marcus Vinícius: (88) 9953-0308
Irmão Lucidêncio: (88) 9964-9810
Irmão André Girão: (88) 8811-7637
Irmão Paulo Sérgio: (88) 9958-2082

Participe deste ato de Fé.

Mais informações:




http://www.tercodoshomensspsp.com.br/novo/promoo
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NOTÍCIA ESPORTES
II Motor-romaria de Morada Nova a Canindé
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A largada da II edição da Motor-romaria de Morada Nova a Canindé acontece as 5 horas do dia 16.
Notícia Postada em: 10/01/2011
Por: Flávio Costa
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Depois do grande sucesso da primeira edição da Motor-romaria realizada em 2010, pela A coordenação do Terço dos Homens Mãe Rainha da paróquia do Divino Espírito Santo de Morada Nova - Ceará, Diocese de Limoeiro do Norte, onde centenas de motor-romeiros participaram efetivamente do grande evento.

A organização anuncia para o dia 16 de Janeiro de 2011, a II edição da Motor-romaria de Morada Nova a Canindé, onde os interessados ainda podem se inscrever para participarem desse grande momento de diversão Fé e louvação. As inscrições podem ser feitas no Banco do Brasil de Morada Nova ou Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, ao custo de 17 reais referente à blusa do evento, basta procurar o Irmão Marcus Vinícius coordenador paroquial.

A programação para a largada da II edição da Motor-romaria de Morada Nova a Canindé esta marcada para o dia 16 de Janeiro, com concentração a parti das Quatro horas da manha na Praça Maestro Coutinho, a conhecida praça do balão, com saída marcada para as Cinco horas ao amanhecer do dia. Maiores informações entrar em contato com a Casa paroquial de Morada Nova: (88) 3422-1020 e membros da organização através de Irmão Benedito fone (85) 9617-8216 ou (88) 8808-8230, Irmão Marcus Vinícius (88) 9953-0308, Irmão Lucidêncio (88) 9964-9810, Irmão André Girão (88) 8811-7637 e Irmão Paulo Sérgio: (88) 9958-2082.

Um dos lemas da vida é o amor ao próximo e respeito ao ser maior da vida, que a é a Luz misericordiosa Divina. Que ele abençoe aos que ajudam na construção do reino de Deus desde agora aqui na terra, em especial aos participantes da II Motor-romaria de Morada Nova a Canindé.

Em você é o repórter - Benedito Francisco Alves
Mestre em Linguística Aplicada - UECE/PósLA

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II Motoromaria 16/01/2011.

> Concentração: 04:00 da manhã
> Local: Praça Maestro Coutinho (praça do balão)
> Saída: 05:00 da manhã
> Inscrição: 17 reais referente à blusa do evento
Responsáve
l: Irmão Marcus Vinícius (coordenador paroquial)
Local de inscrição: Banco do Brasil de Morada Nova
ou Igreja Matriz do Divino Espírito Santo
> Contatos: Casa Paroquial de Morada Nova - (88) 3422-1020 / (88) 3422-1020
> irmão Benedito - (85) 9617-8216 / (85) 9617-8216
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http://www.tercodoshomens.com.br/convites/convites.htm
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Notícias

II Motorromaria do Terço dos Homens de Morada Nova a Canindé

Quinta-feira, 06 de janeiro de 2011 - 16h25min


A coordenação do Terço dos Homens e a Mãe Rainha da Paróquia do Divino Espírito Santo de Morada Nova - Ceará, diocese de Limoeiro do Norte realizará no dia 16 de janeiro, a II Motorromaria de Morada Nova a Canindé.

A programação será:

Concentração: às 4h da manhã, na Praça Maestro Coutinho (praça do balão).

Saída: 5h da manhã.

Inscrição: R$ 17,00 reais (referente à blusa do evento).

Responsável: Irmão Marcus Vinícius (coordenador paroquial).

Local de inscrição: Banco do Brasil de Morada Nova ou Igreja Matriz do Divino Espírito Santo.

Contatos: Casa Paroquial de Morada Nova: (88) 3422-1020:
Irmão Benedito: (85) 9617-8216 ou (88) 8808-8230.
blog:beneditoetp.blogspot.com
e-mail: alfransbe@yahoo.com.br


Fonte: Pascom da Arquidiocese de Fortaleza


http://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/noticias_integra.asp?id_noticia=4000

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domingo, 9 de janeiro de 2011

Samuel Taylor Coleridge: Kubla Khan or, a Vision In a Dream

Coleridge was responsible for attempting to present the supernatural as real whereas his friend William Wordsworth would try to render ordinary reality as remarkable, strange. He suffered great physical and emotional pain during his life and became addicted to opium. He claimed that this poem came to him in an opium dream. It opens with an enigmatic but precise description of an emperor's pleasure dome located in an enchanted, savage spot where a woman cries for her demon lover and the sacred river is flung up violently, then meanders before plunging through caverns into a sunless sea. In trying to interpret this symbolic site we can begin by seeing the dome as a human creation (art) built in and over nature's beauty and power. Note that in the last part of the poem the newly introduced "I" has a vision in which, inspired by a singing woman, he would imaginatively recreate in air the Khan's dome. The artist who could accomplish this would be regarded with awe and even fear by those from whom he is separated by his inspiration. The poem is also a classic case of European fantasizing about the exotic and luxurious East.

What passages in the poem combine images of beauty with images of danger?


In Xanadu did Kubla Khan (1)
A stately pleasure-dome decree:
Where Alph, (2) the sacred river, ran
Through caverns measureless to man
Down to a sunless sea.
So twice five miles of fertile ground
With walls and towers were girdled round:
And there were gardens bright with sinuous rills, (3)
Where blossomed many an incense-bearing tree;
And here were forests ancient as the hills,
Enfolding sunny spots of greenery.

But oh! that deep romantic chasm which slanted
Down the green hill athwart a cedarn cover! (4)
A savage place! as holy and enchanted
As e'er beneath a waning moon was haunted
By woman wailing for her demon-lover!
And from this chasm, with ceaseless turmoil seething,
As if this earth in fast thick pants were breathing,
A mighty fountain momently (5) was forced:
Amid whose swift half-intermitted burst
Huge fragments vaulted like rebounding hail,
Or chaffy grain beneath the thresher's flail:
And 'mid these dancing rocks at once and ever
It flung up momently the sacred river.
Five miles meandering with a mazy motion
Through wood and dale the sacred river ran,
Then reached the caverns measureless to man,
And sank in tumult to a lifeless ocean:
And 'mid this tumult Kubla heard from far
Ancestral voices prophesying war!
The shadow of the dome of pleasure
Floated midway on the waves;
Where was heard the mingled measure
From the fountain and the caves.
It was a miracle of rare device,
A sunny pleasure-dome with caves of ice!

A damsel with a dulcimer (6)
In a vision once I saw:
It was an Abyssinian (7) maid,
And on her dulcimer she played,
Singing of Mount Abora.
Could I revive within me
Her symphony and song,
To such a deep delight 'twould win me,
That with music loud and long,
I would build that dome in air,
That sunny dome! those caves of ice!
And all who heard should see them there,
And all should cry, Beware! Beware!
His flashing eyes, his floating hair!
Weave a circle round him thrice, (8)
And close your eyes with holy dread,
For he on honey-dew hath fed,
And drunk the milk of Paradise.

(1) The 13th-century founder of the Yuan dynasty in China, Kublai Khan ruled over a lavishly luxurious court known to Europeans main through the descriptions of the Italian merchant and traveler Marco Polo.

(2) Magical river in western Greece.

(3) Meandering streams.

(4) Through a wood of cedars.

(5) Suddenly.

(6) String instrument struck with two light hammers, used both in China and in Europe, in different forms.

(7) Abyssinia is the northeastern African country now known as Ethiopia.

(8) A protective ritual.


http://www.wsu.edu/~wldciv/world_civ_reader/world_civ_reader_2/coleridge.html
09/01/2011, 15:39

LIteratura portuguesa - Arcadismo

ARCADISMO

O Arcadismo, ou Setecentismo (anos 1700) ou Neoclassicismo é o período que caracteriza principalmente a Segunda metade do século XVIII,porque o espírito reformista envolve este século numa valorização antropocêntrica, de um saber racional que reflete o desenvolvimento tecnológico, industrial, social e científico. Vive-se, agora, o Século das Luzes, o iluminismo burguês que prepara o caminho para a Revolução Francesa.

No início do século XVIII ocorre a decadência do pensamento barroco, para a qual colaboraram vários fatores: o exagero da expressão barroca havia cansado o público, e a chamada arte cortesã, que se desenvolvera desde a Renascença, atinge em meados do século um estágio estacionário e mesmo decadente, perdendo terreno para o subjetivismo burguês; o problema da ascensão burguesa supera a questão religiosa; surgem as primeiras arcádias, que procuram a pureza e a simplicidade das formas clássicas; no combate ao poder monárquico, os burgueses cultuam o "bom selvagem", em oposição ao homem corrompido pela sociedade do Ancien Régime ( o velho regime monárquico). Como se observa, a burguesia atinge a hegemonia econômica e passa a lutar pelo poder político, então em mãos da monarquia. Isso se reflete claramente no campo social e artístico: a antiga arte cerimonial cortesã dá lugar ao gosto burguês.

O Arcadismo tem espírito nitidamente reformista, pretendendo reformular o ensino, os hábitos, as atitudes sociais, uma vez que é a manifestação artística de um novo tempo e de uma nova ideologia. No século XVIII a influência sobre Portugal vem da França devido a emancipação política da burguesia. Essa mesma burguesia é responsável pelo desenvolvimento do comércio e da indústria e já assistia a algumas vitórias na Inglaterra e Estados Unidos. Na França, a partir de 1750, os filósofos atacam o poder real e clerical e denunciam a corrupção dos costumes com grande violência.

Em Portugal, o Arcadismo estende-se desde 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, até 1825, com a publicação do poema "Camões", de Almeida Garret, considerado o marco inicial do Romantismo português.

No Brasil, considera-se como data inicial do Arcadismo o ano 1768, em que ocorrem dois fatos marcantes: a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, e a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa. A Escola Setecentista desenvolve-se até 1808, com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, a qual, com suas medidas político-administrativas, permite a introdução do pensamento pré-romântico no Brasil.

- CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

No século XVIII, o fortalecimento político da burguesia e o aparecimento dos filósofos iluministas formam um novo quadro sociopolítico-cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão.

Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-Reforma, nega-se a educação jesuítica praticada nas escolas, valoriza-se o estudo científico e as atividades humanas, num verdadeiro retorno à cultura renascentista. A literatura tem por objetivo restaurar o equilíbrio por meio da razão.

Em meados do século XVIII surge na Inglaterra e na França uma burguesia que passa a dominar economicamente o Estado, através de um vasto comércio ultramarino e da multiplicação de estabelecimentos bancários, assenhoreando-se mesmo de uma parte da agricultura. Em toda a Europa tais circunstâncias são semelhantes, e as influências do pensamento burguês se alastram. Nesse momento, geram-se duas manifestações distintas, mas que se completam.

O momento poético nasce de um encontro, com a natureza e os afetos comuns do homem, refletidos através da tradição clássica e de formas bem definidas, julgadas dignas de imitação ( Arcadismo); e o momento poético ideológico, que se impõe no meio do século, e traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.

Em 1748, Montesquieu publica O espírito das leis, obra na qual propõe a divisão do governo em três poderes ( Executivo, legislativo e Judiciário). Voltaire, como Montesquieu, relacionado com a alta burguesia, defende uma monarquia esclarecida. Em 1851, dirigido por Diderot e D'Alembert, aparece o Discours préliminaires de l'encyclopédie, cultuando a razão, o progresso e as ciências. Importante papel desempenhou Jean-Jacques Rousseau ( O contrato social; Emílio), defensor de uma governo burguês e do ideal de "bom selvagem"o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe"; portanto, o homem deveria voltar-se para o refúgio da natureza pura). É dentro desse quadro que se desenvolve o Iluminismo europeu, transformando o século XVIII no Século das Luzes, que resulta no despotismo esclarecido, governo forte dando segurança ao capitalismo mercantil da burguesia e preparando terreno para a Revolução Francesa.

A influência neoclássica penetrou em todos os setores da vida artística européia, no século XVIII.

Na Itália essa influência assumiu feição particular. Conhecida como Arcadismo, inspirava-se na lendária região da Grécia antiga. Segundo a lenda, a Arcádia era dominada pelo deus Pan e habitada por pastores que, vivendo de modo simples, e espontâneo, se divertiam cantando, fazendo disputas poéticas e celebrando o amor e o prazer.

Os italianos, procurando imitar a lenda grega, criaram a Arcádia em 1690 - uma academia literária que reunia os escritores com a finalidade de combater o Barroso e difundir os ideais neoclássicos. Para serem coerentes com certos princípios, como simplicidade e igualdade, os cultos literários árcades usavam roupas e pseudônimos de pastores gregos e reuniam-se em parques e jardins para gozar a vida natural.

No Brasil e em Portugal, a experiência neoclássica na literatura se deu em torno dos modelos do Arcadismo italiano, com a fundação de academias literárias, simulação pastoral, ambiente campestre, etc.

Esses ideais de vida simples e natural vêm ao encontro dos anseios de um novo público consumidor em formação, a burguesia, que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes.

- EXPRESSÃO ARTÍSTICA DA BURGUESIA

Foi nesse contexto de fermentação filosófica e lutas políticas que surgiu o Arcadismo, voltado para um novo público consumidor, formado pela burguesia e pela classe média. Como expressão artística dessas camadas sociais, o Arcadismo identifica-se com as idéias da Ilustração e veicula-as sob a forma de valores que se opõem ao tipo de vida levado pelas cortes aristocráticas e à arte que consumiam, o Barroco.

Daí a idealização da vida natural, em oposição à vida urbana; a humildade, em oposição aos gastos exorbitantes da nobreza; o racionalismo, em oposição à fé; a linguagem simples e direta, em oposição à linguagem rebuscada do Barroco. Esses valores artísticos e culturais assumiram, no contexto da sociedade européia do século XVIII, um significado de clara contestação política, já que flagravam os privilégios da nobreza e do clero e propunham uma sociedade mais justa, racional e livre.

O Arcadismo pode ser visto, sob o ponto de vista ideológico, como um arte revolucionária. Contudo, do ponto de vista estético, é uma arte conservadora, pois ainda se liga à tradição clássica, tanto tempo cultivada pelas cortes aristocráticas.

- CARACTERÍSTICAS DO MOVIMENTO LITERÁRIO

A linguagem árcade é a expressão das idéias e dos sentimentos do artista do século XVIII. Seus temas e sua construção procuram adequar-se à nova realidade social vivida pela classe que a produzia e a consumia: a burguesia.

Outras características da linguagem árcade que merecem destaque:

Características

- Arte ligada ao Iluminismo. Oposição ao absolutismo despótico e ao poder (barroco) da Igreja.

- Afirmação orgulhosa da racionalidade. Razão = Verdade = Simplicidade e clareza.

- Culto da simplicidade. Como se atinge a mesma? Através da imitação (não no sentido de cópia, mas no de seguir modelos já estabelecidos).

- Imitação dos clássicos gregos. Em especial, Virgílio e Teócrito, clássicos pastoris.

- Imitação da natureza campestre, isto é, da ordem e do equilíbrio que essa natureza apresenta, o que dá a mesma um caráter de paraíso perdido. Dois elementos decorrem da aproximação do árcade da natureza campestre:

- Bucolismo: adequação do homem à harmonia e serenidade da natureza.

- Pastoralismo: celebração da vida pastoril, vista como um eterno idílio entre pastores e pastoras.

- Ausência de subjetividade. O autor não expressa o seu próprio eu, adota uma forma pastoril ( era comum os escritores usarem pseudônimos em seus poemas,sonetos e obras, como exemplo: Cláudio Manuel da Costa é Glauceste Satúrnio, Tomás Antônio Gonzaga é Dirceu, Basílio da Gama é Termindo Sipílio,)

- Amor galante. O amor é entendido como um conjunto de fórmulas convencionais.

fugere urbem ( fuga da cidade): influenciados pelo poeta latino Horácio, os árcades defendiam o bucolismo como ideal de vida, isto é, uma vida simples e natural, junto ao campo, distante dos centros urbanos. Tal princípio era reforçado pelo pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, segundo o qual a civilização corrompe os costumes do homem, que nasce naturalmente bom.

aurea mediocritas ( vida medíocre materialmente mais rica em realizações espirituais): A idealização de uma vida pobre e feliz no campo, em oposição à vida luxuosa e triste na cidade. Nestes versos de Tomás Antônio Gonzaga, por exemplo, são exaltados o trabalho manual e o sentimento, em oposição ao artificialismo e às facilidades da vida urbana:

Se não tivermos lãs e peles finas,

Podem mui bem cobrir as carnes nossas

As peles dos cordeiros mal curtidas,

E os panos feitos com as lãs mais grossas.

Mas ao menos será o teu vestido

Por mãos de amor, por minhas mãos cosido.

Idéias iluministas: como expressão artística da burguesia, o Arcadismo direciona certos ideais políticos e ideológicos dessa classe, no caso, ideais do Iluminismo. Os iluministas foram pensadores que defenderam o uso da razão, em contraposição à fé cristã, e combateram o Absolutismo.

Convencionalismo amoroso: na poesia árcade, as situações são artificiais; não é o próprio poeta quem fala de si e de seus reais sentimentos. No plano amoroso, por exemplo, quase sempre é um pastor que confessa o seu amor por uma pastora e a convida para aproveitar a vida junto à natureza. Porém, ao se lerem vários poemas, de poetas árcades diferentes, tem-se a impressão de que se trata sempre de um mesmo homem, de uma mesma mulher e de um mesmo tipo de amor. Não há variações emocionais. Isso ocorre devido ao convencionalismo amoroso, que impede a livre expressão dos sentimentos. O que mais importava ao poeta árcade era seguir a convenção, fazer poemas de amor como faziam os poetas clássicos, e não expressar os sentimentos. A mulher é vista como um ser superior, inalcançável e imaterial.

Carpe diem: o desejo de aproveitar o dia e a vida enquanto é possível, esta idéia é retomada pelos árcades e faz parte do convite amoroso.

- O ARCADISMO EM PORTUGAL

Para os portugueses, o século XVIII iniciou-se com um processo de modernização, através dos planos econômico, político, administrativo, educacional e cultural. A produção literária foi ampla e variada, incentivada principalmente pelas academias literárias árcades. A principal expressão literária desse período, Manuel Maria du Bocage, foi um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos, Nas primeiras décadas desse século, chegaram a Portugal as idéias iluministas, que entusiasmaram intelectuais, artistas e até mesmo o rei D. João V e seu sucessor D.José I, que desejavam modernizar o país.

Esse projeto deveria, ainda, satisfazer os interesses da burguesia mercantil e colonial, equiparando Portugal novamente às grandes nações européias. Com amplos poderes, e, na condição de ministro, o Marquês, foi indicado a liderar essas idéias.

Com formação estrangeira, o Pe. Luis Antônio Verney, mudou significativamente o cenário científico e artístico português, usando projeto de reforma pedagógica. Suas idéias expostas na obra :Verdadeiro método de estudar (1764), em que o escritor, atacava a orientação que os jesuítas davam ao país. Criticava a arte barroca e seus adeptos, como o Pe. Vieira.Nem mesmo Camões escapou das críticas, que viam nas antíteses camonianas, traços da estética barroca.

Essas críticas originaram um amplo debate sobre a necessidade de renovar a cultura portuguesa. Como decorrência desse período de agitação cultural, foi fundada a Arcádia Lusitana, em 1756, considerada o marco introdutório do Arcadismo em Portugal.

As academias literárias

As academias literárias eram agremiações que tinham por objetivo promover o debate permanente sobre a criação artística, avaliar criticamente a produção de seus filiados e facilitar a publicação de suas obras.

Portugal contou com duas importantes academias árcades: a Arcádia Lusitana, que efetivamente deu início ao movimento árcade em Portugal, e a Nova Arcádia (1790), que contou com o maior poeta português do século XVIII: Manuel Maria Barbosa du Bocage.

O gênero literário predominante durante o Arcadismo português foi a poesia.

Durante o século XVIII, dos escritores portugueses que mais se destacaram , um merece atenção especial:

MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE:(Elmano Sadino)

O poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, também conhecido com o pseudônimo árcade de Elmano Sadino ( Elmano é um anagrama de Manuel e Sadino é relativo ao rio Sado, que corta a cidade de Setúbal, onde nasceu em 15 de setembro de 1765)Além das inúmeras experiências amorosas, ele viveu aventuras nas colônias portuguesas do Oriente como na Índia (Goa) e na China (Macau), teve quase o mesmo caminho que de Camões. Como ele, Bocage também se incorporou em companhias militares, lutou na guerra, naufragou, amou muitas mulheres e sofreu com elas, foi preso e morreu na miséria.

Foi na lírica, em especial nos sonetos, que Bocage atingiu o ponto alto de sua obra, embora também tenha se destacado como poeta satírico e erótico.

Bocage é considerado o melhor escritor português do século XVIII e, ao lado de Camões e de Antero de Quental, um dos três maiores sonetistas de toda a literatura portuguesa. Isso ocorreu porque sua obra traduz o momento transitório que viveu (1765-1805), ou seja, um período marcado por mudanças profundas, como a Revolução Francesa (1789) e o florescimento do Romantismo. Assim, a obra de Bocage, em sua totalidade, não é árcade nem romântica: é uma obra de transição, que apresenta simultaneamente aspectos dos dois movimentos literários.



http://www.juliobattisti.com.br/tutoriais/adrienearaujo/literatura008.asp
09/01/2011, 15:30

Literatura brasileira - Arcadismo

O Arcadismo se inicia no início do ano de 1700 e por isso recebe o nome também de Setecentismo, ou ainda neoclassicismo. Esta última denominação surgiu do fato dos autores do período imitarem, não de uma forma pura, mas alguns aspectos da antigüidade greco-romana ou o chamado Classicismo, e também os escritores do Renascimento, os quais vieram logo após a idade clássica. O classicismo compreende a época literária do Renascimento, no qual o homem tem a visão antropocêntrica do mundo, ou seja, o homem como centro de todas as coisas. Os renascentistas prezavam as obras clássicas, já que tinham a convicção de que a arte tinha alcançado sua perfeição. Assim como os renascentistas, os escritores árcades pretendiam retomar o estilo clássico, contudo com uma nova maneira, denominada de Neoclássica, de observar as considerações artísticas abordadas naquele período, como a razão e a ciência, conceitos oriundos do Iluminismo.

O Iluminismo é determinado pela revolução intelectual ocasionada por volta dos séculos XVII e XVIII, o qual trazia como lema: liberdade, igualdade e fraternidade, o que influenciou os pensamentos artísticos da época na Europa, e principalmente a Revolução Francesa, a independência das colônias inglesas da América Anglo-Saxônica e no Brasil, a Inconfidência Mineira.

O novo modo de analisar a cientificidade e a racionalidade da época árcade fugia das convenções artísticas da época, já que os escritores retomam as características clássicas, como: bucolismo (busca de uma vida simples, pastoril), exaltação da natureza (refúgio poético, em oposição à vida urbana), pacificidade amorosa (relacionamentos tranqüilos), a mitologia pagã, clareza na escrita com utilização de períodos curtos e versos sem rima. Os poetas árcades são freqüentemente citados como fingidores poéticos, pois escrevem sobre temas que não correspondem com a realidade do período histórico, visto anteriormente.

Um dos principais escritores árcades foi o poeta latino Horácio, que viveu entre 68 a.C. e 8 a.C., e foi influenciador do pensamento do “carpe diem”, viver agora, desfrutar do presente, adotado pelo Arcadismo e permanente até os dias de hoje.
Os principais autores do Arcadismo brasileiro são: Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Santa Rita Durão.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

http://www.brasilescola.com/literatura/arcadismo-neoclassicismo.htm
09/01/2011, 15:08
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O Arcadismo no Brasil

No Brasil, o arcadismo chega e desenvolve-se na segunda metade do século XVIII, em pleno auge do ciclo do ouro na região de Minas Gerais. É também neste momento que ocorre a difusão do pensamento iluminista, principalmente entre os jovens intelectuais e artistas de Minas Gerais. Desta região, que fervia culturalmente e socialmente nesta época, saíram os grandes poetas.

Entre os principais poetas do arcadismo brasileiro, podemos destacar Cláudio Manoel da Costa (autor de Obras Poéticas), Tomás Antônio Gonzaga (autor de Liras, Cartas Chilenas e Marília de Dirceu), Basílio da Gama (autor de O Uraguai) , Frei Santa Rita Durão (autor do poema Caramuru) e Silva Alvarenga (autor de Glaura).

As principais características das obras do arcadismo brasileiro são: valorização da vida no campo, crítica a vida nos centros urbanos (fugere urbem = fuga da cidade), uso de apelidos, objetividade, idealização da mulher amada, abordagem de temas épicos, linguagem simples, pastoralismo e fingimento poético.


http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/arcadismo.htm

09/01/2011, 15:10

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Entre as características do movimento no Brasil, destacam-se a introdução de paisagens tropicais, como em Caramuru, valorização da história colonial, o início do nacionalismo e da luta pela independência e a colocação da colônia como centro das atenções.

[editar] Autores

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arcadismo
09/01/2011, 15:12

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1768-1808

As formas artísticas do Barroco já se encontram desgastadas e decadentes. O fortalecimento político da burguesia e o aparecimento dos filósofos iluministas formam um novo quadro sócio político-cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão. Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-Reforma.

Conhecida como Arcadismo, uma influência que inspirava-se na lendária região da Grécia antiga, já chegava à Itália .

No Brasil e em Portugal, a experiência neoclássica na literatura se deu em torno dos modelos do Arcadismo italiano, com a fundação de academias Arcadismos, simulação pastoral, ambiente campestre, etc.

Esses ideais de vida simples e natural vêm ao encontro dos anseios de um novo público consumidor em formação, a burguesia, que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes. A primeira obra do arcadismo foi feita em 1768, denominada Obras Poéticas, de Cláudio M. da Costa.

Características do Arcadismo

A ausência de subjetividade, o racionalismo, o soneto (forma poética), simplicidade, pseudônimos e bucolismo (natureza) e o neoclassicismo são umas das características do Arcadismo, disposta a fazer valer a simplicidade perdida no Barroco. Entre outros:

Fugere urbem

Os árcades buscavam uma vida simples, bucólica, longe do burburinho citadino.
Inutilia truncar

A frase em latim resume grande parte da estética árcade. Ela significa que "as inutilidades devem ser banidas" e vai ao encontro do desprezo pelo exagero e pelo rebuscamento, característicos do Barroco.

Carpe diem

Aproveitar o dia, viver o momento presente com grande intensidade, foi uma atitude inteiramente assumida por esses poetas.

Poetas da Inconfidência Mineira

Não existiu, no Brasil, uma Arcádia, como em Portugal. Um vigoroso grupo intelectual (o grupo mineiro) destacou-se na arte Arcadismo e na prática política, participando ativamente da Inconfidência Mineira.

Esse grupo, constituído por Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Manuel Inácio da Silva Alvarenga e outros intelectuais, foi desfeito de forma violenta, com a prisão, desterro ou morte de alguns poetas, à época da repressão política em torno do episódio da Inconfidência.

Com os olhos voltados para a terra natal, esses poetas árcades iniciaram o período de transformação da literatura brasileira, que se vai efetivar, realmente, no século XIX, com os românticos. Tomás Antônio Gonzaga escreveu Marília de Dirceu, uma poesia lírica, e Cartas Chilenas, poesia satírica. Cláudio Manoel da Costa inspirou-se em Camões para escrever Obras Poéticas. Silva Alvarenga fez obras em forma clássica. Outros poetas como Basílio da Gama (O Uraguai) e Frei Santa Rita Durão (Caramuru) aparecem neste cenário.

EXEMPLO DE

Obras Poéticas, de Cláudio M. da Costa.

Soneto

Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh quem cuidara.
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza.

Amor, que vence os Tigres, por empresa
Tomou logo render-me, ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pode fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura.
Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.

Tomás Antônio Gonzaga

Marília de Dirceu, Lira I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’ expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado:
Os pastores, que habitam este monte,
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o próprio Alceste:
Ao som dela concerto a voz celeste;
Nem canto letra, que não seja minha,
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Mas tendo tantos dotes da ventura,
Só apreço lhes dou, gentil Pastora,
Depois que teu afeto me segura,
Que queres do que tenho ser senhora.
É bom, minha Marília, é bom ser dono
De um rebanho, que cubra monte, e prado;
Porém, gentil Pastora, o teu agrado
Vale mais q’um rebanho, e mais q’um trono.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Leve-me a sementeira muito embora
O rio sobre os campos levantado:
Acabe, acabe a peste matadora,
Sem deixar uma rês, o nédio gado.
Já destes bens, Marília, não preciso:
Nem me cega a paixão, que o mundo arrasta;
Para viver feliz, Marília, basta
Que os olhos movas, e me dês um riso.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Irás a divertir-te na floresta,
Sustentada, Marília, no meu braço;
Ali descansarei a quente sesta,
Dormindo um leve sono em teu regaço:
Enquanto a luta jogam os Pastores,
E emparelhados correm nas campinas,
Toucarei teus cabelos de boninas,
Nos troncos gravarei os teus louvores.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Depois de nos ferir a mão da morte,
Ou seja neste monte, ou noutra serra,
Nossos corpos terão, terão a sorte
De consumir os dois a mesma terra.
Na campa, rodeada de ciprestes,
Lerão estas palavras os Pastores:
"Quem quiser ser feliz nos seus amores,
Siga os exemplos, que nos deram estes."
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Basílio da Gama

O Uruguai (fragmentos)

"O rei é vosso pai: quer-vos felizes.
Sois livres, como eu sou; e sereis livres.
Não sendo aqui, em qualquer outra parte.
Mas deveis entregar-nos estas terras.
Ao bem público cede o bem privado.
O sossego da Europa assim pede.
Assim o manda o rei. Vós sois rebeldes,
Se não obedeceis; mas os rebeldes
Eu sei que não sois vós - são os "bons" padres,
Que vos dizem a todos que sois livres,
E se servem de vós como de escravos,
E armados de orações vos põem no campo."

Os trechos abaixo pertencem a Cacambo, chefe guarani:

"...Se o rei da Espanha
Ao teu rei quer dar terras com mão larga
Que lhe dê Buenos Aires e Corrientes.
E outras, que tem por estes vastos climas;
Porém não pode dar-lhe os nossos povos (...)"
"Gentes de Europa, nunca vos trouxera
O mar e o vento a nós. Ah! não debalde
Estendeu entre nós a natureza
Todo esse plano espaço imenso de águas."

O trecho abaixo refere-se à expressão doce de Lindóia, já morta:

"Inda conserva o pálido semblante
Um não sei quê de magoado e triste.
Que os corações mais duros enternece,
Tanto era bela no seu rosto a morte!"

Santa Rita Durão

Caramuru (fragmentos)

"Só tu tutelar anjo, que o acompanhas,
Sabes quanta virtude ali se arrisca
Essas fúrias da paixão, que acende, estranhas
Essa de insano amor doce faísca
ânsia no coração sentiu tamanhas
Que houvera de perder-se naqu’hora
Se não fora cristão, se herói fora."
"Paraguaçu gentil (tal nome teve),
Bem diversa de gente tão nojosa,
De cor tão alva como a branca neve,
E donde não é neve, era de rosa;
O nariz natural, boca mui breve
Olhos de bela luz, testa espaçosa."

Fonte: Escola Vesper


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09/01/2011, 15:19

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